É INGLÊS AMERICANO OU BRITÂNICO?
- Guilherme Paes Leme Cordeiro
- 11 de nov. de 2021
- 3 min de leitura
O Inglês é a língua oficial de 67 países, de organizações internacionais tal como a ONU e de seu catálogo de séries favoritas no Netflix. Em grandes cidades, passear pelas largas avenidas é uma verdadeira aula de Inglês. Em cada letreiro de loja, propaganda, produtos e em estações de rádio (tirando gospel e sertanejo, que compõem quase a totalidade das emissoras) o idioma é o Inglês.
Estimativas recentes apontam que cerca de 800 milhões de pessoas falam o idioma Inglês enquanto nativos e um total de 1.35 bilhões de pessoas ao redor do mundo. Não há, exatamente, uma língua franca mundial. No entanto, essa é, claramente, a que se aproxima de tal feito. Língua essa que permeia nossas relações diárias trabalhistas, culturais e sociais. Ninguém quer ficar fora disso. Não pertencer. Não participar. Falar é preciso, portanto.
Qual escolha devo fazer? Ao escolher um curso ou caminho para o aprendizado, o que devo considerar? Há uma década trabalhando no circuito de ensino de idiomas, frequentemente me deparo com essa dúvida que soa como um eco; Inglês Americano ou Britânico? A resposta imediata é: Inglês! Mas, como assim? Não há diferença? Não são países diferentes, E.U.A. e Inglaterra? Não são pronúncias diferentes? Até mesmo ortografias diferentes? Sim!
E para quem inicia, que diferença faz?
O caminho do aprendizado tem um norte, chamado de objetivo. Se, e exclusivamente se, o objetivo do domínio na língua acompanha uma viagem longa marcada, um intercâmbio ou morar fora do país, talvez a escolha da variante sirva um propósito. Nos demais casos, talvez para a surpresa de muitos, é uma preocupação mais comercial de escolas e professores do que por qualquer outro motivo. Quando se vende um curso, vende-se um sonho (assim é que aprendem os assessores comerciais). Cultura é, inexoravelmente, sinônimo de poder e status ou sinônimo de ruína. O significado na venda, portanto, é vincular a matrícula a uma percepção de pertencimento. Compra-se um pedaço de status.
Na prática, em suas viagens, reuniões de trabalho, momentos criativos alcoolizados e outras oportunidades de falar a língua, as pessoas encontrarão o Inglês mais falado em todo o mundo. Então, é americano ou britânico? É macarronês! O macarronês é a língua oficial do aprendiz, de qualquer país não nativo, usado nas mais diversas situações. Inclusive em escolas. É mais provável que você venha a falar a língua com alguém não nativo, brasileiros, indianos, chineses e turistas do mundo. Talvez não se tenha a chance nem de falar com Americanos ou Ingleses. Logo, qual argumento sustenta a preocupação dessa escolha?
Como aluno e aprendiz, completei duas décadas de evolução no idioma. Passei por algumas franquias conhecidas e métodos. Conheci inúmeros professores e alunos. Passei por escolas de “inglês americano” e “inglês britânico”. Afirmo, categoricamente, que não faz diferença alguma. A enorme maioria dos professores, para espanto de alguns, não possui boa pronúncia. Quanto menos uma pronúncia tão excepcional a ponto de poder exercitar o ensino do “americano x britânico”. As escolas, da mesma forma, valendo-se de um apelo comercial, pouco se debruçam sobre essa questão pedagógica em sua coleção de material. Portanto, por que se importar?
No fim das contas, o que realmente importou, na minha experiência, foi a sorte de ter encontrado profissionais dedicados (que talvez eles mesmos nem saibam disso) cuja pronúncia, zelo pelo acerto e não a aceitação ao erro, possibilitaram uma evolução verdadeira. Como falante da língua, é fundamental se comunicar. Saber se comunicar. Não há tempo para discursos marketeiros. Transforme seu conceito. Apenas comece!
Orientação Prática de um Diretor Pedagógico:
Questione o vendedor sobre o conteúdo dos materiais, método e como são as aulas. Não hesite em pedir que algum professor ou coordenador lhe tire dúvidas. Se os discursos são diferentes entre comercial e pedagógico, significa que o produto vendido não corresponde à realidade.
Solicite uma aula experimental. Diferente de outros produtos e serviços, o ensino em línguas é o lugar do conforto. Se você não gostar, se não atender as expectativas, procure outros lugares.
Se a escola ou professor insistem em vender o Inglês Americano ou Britânico como vantagem ou diferencial, questione sobre essas diferenças. Quais são os reais benefícios? O que, exatamente, torna o curso dessa forma?


Comentários